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	<title>Ricardo Alcantara</title>
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		<title>Ai de ti, espelho meu.</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 14:32:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
No momento, o fato central da sucessão é a posição da prefeita Luizianne Lins ao defender como candidato um colaborador seu, desconhecido para os eleitores e mesmo para a parcela mais bem informada deles.
 
A insistência é ruidosa porque agravada pelos índices insuficientes de popularidade obtidos pela gestão, o que mantém adversários assanhados e aliados intranquilos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>No momento, o fato central da sucessão é a posição da prefeita Luizianne Lins ao defender como candidato um colaborador seu, desconhecido para os eleitores e mesmo para a parcela mais bem informada deles.</p>
<p> </p>
<p>A insistência é ruidosa porque agravada pelos índices insuficientes de popularidade obtidos pela gestão, o que mantém adversários assanhados e aliados intranquilos. Enfim, falta, à prefeita, o razoável: argumentos.</p>
<p> </p>
<p>O critério de escolha definido por ela e seu grupo político é absoluto e exclusivo: a “identificação com o projeto administrativo”. Só aí, dessas cinco palavras, já me sobram cinco perguntas. As farei sem esperança de resposta.</p>
<p> </p>
<p>A primeira. Se o “produto” alcança tão elevados níveis de excelência que o torna insubstituível em todos os seus aspectos, onde se deu, afinal, a grande falha que o faz indesejável aos olhos da clientela? É só uma pergunta.</p>
<p> </p>
<p>Tenho outra. Afinal, que projeto é este? Apesar de sua presumida singularidade, ele não tem, salvo algumas ponderações protocolares, defensores fora do círculo restrito do comando administrativo.</p>
<p> </p>
<p>Mais uma. Por que nenhum outro petista seria capaz de representá-lo? Nada do que tenho observado a respeito me parece excepcional o bastante para justificar a proteção máxima de um candidato fotocópia autenticada.</p>
<p> </p>
<p>Ainda outra pergunta. Valeria mesmo a pena correr o risco de perder todo esse precioso tesouro, quando haveria boas chances de negociar uma aliança capaz de garantir a continuidade do que nele seria essencial?</p>
<p> </p>
<p>Por fim, diante de tantas questões, e sabendo-se que o espectro do personalismo nunca foi exorcizado do inconsciente esquerdista, caberia, talvez, ainda perguntar: será que é mesmo este, o “bom” motivo?</p>
<p> </p>
<p>Se a gestão não é tão má quanto vociferam os tucanos – gente que nunca compreendeu essa cidade o suficiente para merecer sua confiança – tão pouco é a maravilha que andam dizendo os espelhos do Palácio do Bispo.</p>
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		<title>Atitude 40: a política reciclável.</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 19:17:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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É baixa, a sinergia entre o governo do estado e a prefeitura de Fortaleza, mas, ao contrário do primeiro, a gestão municipal está mal avaliada pela população em sua média geral, segundo as pesquisas de opinião.
 
O comando político do governo discorda, ainda, do perfil traçado pela prefeita para o candidato à sua sucessão: ela deseja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>É baixa, a sinergia entre o governo do estado e a prefeitura de Fortaleza, mas, ao contrário do primeiro, a gestão municipal está mal avaliada pela população em sua média geral, segundo as pesquisas de opinião.</p>
<p> </p>
<p>O comando político do governo discorda, ainda, do perfil traçado pela prefeita para o candidato à sua sucessão: ela deseja uma cópia autenticada sua, enquanto o aliado insiste em um nome com maior amplitude.</p>
<p> </p>
<p>Hoje, as razões alegadas pelo governador para manter a aliança são todas de ordem pragmática: a convergência com o governo federal e o apoio – ou, o que é ainda mais útil, a ausência crítica – do PT no parlamento estadual.</p>
<p> </p>
<p>Mas o governador não parece mais disposto a esperar que aquilo que lhe parece o bom senso se manifeste na outra margem. É o que significa o lançamento de um programa de articulações denominado Atitude 40.</p>
<p> </p>
<p>Historicamente, à exceção da campanha vitoriosa de Ciro Gomes, o grupo do governador sempre fora coadjuvante do PSDB em disputas da capital. Eram campanhas burocráticas, geridas pela autocracia, sem sinergia com a cidade.</p>
<p> </p>
<p>Ao lado de Tasso Jereissati, padeceram de sucessivas derrotas para o modelo de popularidade Juraci Magalhães até quando a adesão de Ciro Gomes ao “lulismo” e a aliança com o PT na capital mudaram o curso das coisas.</p>
<p> </p>
<p>Reciclados, os Ferreira Gomes se descolaram da rejeição consolidada dos tucanos em Fortaleza e estabeleceram uma aliança com forças políticas representativas de diversos segmentos sociais antes distantes deles.</p>
<p> </p>
<p>Agora, o grupo ensaia um passo à frente com o movimento Atitude 40, que promete ir aos bairros com prestação de contas, consultas populares e – claro! – o velho circo, cada vez mais obrigatório nos roteiros políticos.</p>
<p> </p>
<p>A articulação não pode ser compreendida já como sinal de ruptura, mas tem como significado mínimo não se deixar a reboque do calendário eleitoral definido pelos interesses exclusivos da prefeita. Logo, é ato relevante.</p>
<p> </p>
<p>O fato novo é que, pela primeira vez, o PFG (Partido dos Ferreira Gomes) se coloca como protagonista em seu relacionamento político com a capital, onde, afinal, está boa parte dos eleitores que decidirão a disputa de 2014.</p>
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		<title>Ceará, a esquina deserta do Brasil.</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 17:19:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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Não é necessário recorrer a um conjunto muito amplo de indicadores para constatar que o estado do Ceará vem perdendo gradativo espaço de atenção quanto aos investimentos que dependem da boa vontade de Brasília.
 
Lamentável dizer, mas o fenômeno é datado: agrava-se com o governo Lula e se estende sem lapsos de continuidade por todos esses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p> </p>
<p>Não é necessário recorrer a um conjunto muito amplo de indicadores para constatar que o estado do Ceará vem perdendo gradativo espaço de atenção quanto aos investimentos que dependem da boa vontade de Brasília.</p>
<p> </p>
<p>Lamentável dizer, mas o fenômeno é datado: agrava-se com o governo Lula e se estende sem lapsos de continuidade por todos esses anos em que o “campo democrático e popular” hegemoniza as decisões fundamentais de governo.</p>
<p> </p>
<p>Os últimos nove anos – período de maior prosperidade – não resistem a uma comparação nem mesmo com o pouco que nos foi contemplado durante o governo de Fernando Henrique, a “era maldita”. Noves fora, pioramos.</p>
<p> </p>
<p>Ainda não recuperamos o nível de prestígio obtido durante a década passada, quando o governador Tasso Jereissati se recusava a indicar ministros com a mesma impertinência com que cobrava investimentos.</p>
<p> </p>
<p>Seriam inócuas as tentativas de justificar o desprezo com o recurso fácil ao argumento apoiado no crônico desequilíbrio de poder e influência entre as regiões mais pobres e as regiões mais ricas do território nacional.</p>
<p> </p>
<p>Basta olhar de lado e ver o que se passa há dez anos ali em Pernambuco, um estado que tem recebido investimentos patrocinados pelo governo federal que o colocam como uma das mais agraciadas jóias da coroa.</p>
<p> </p>
<p>Por evidentes, não tomarei seu tempo expondo os números que justificam o diagnóstico. O Ceará voltou a ser a esquina deserta do país e para isso contamos com a omissão remunerada de uns e a subserviência de outros.</p>
<p> </p>
<p>O impacto dos programas de transferência de renda – a esmola necessária do “bolsa tudo” – é benéfico, mas não ao ponto de justificar a perda de espaço na conquista do investimento produtivo e em infraestrutura.</p>
<p> </p>
<p>É desconcertante observar a mudança de eixo no discurso dos nossos parlamentares de esquerda – exigentes com Brasília quando recebíamos um pouco mais e dóceis agora, quando nada de relevante pode ser ostentado.</p>
<p> </p>
<p>Passada uma década de “gestão popular”, peça aos nossos representantes que apontem uma única grande obra do governo federal no Ceará durante todo esse tempo e prepare-se para ouvir murmúrios e tergiversações.</p>
<p> </p>
<p>O governador Cid Gomes conquistou a confiança dos eleitores prometendo recuperar nosso prestígio político – segundo ele, abalado durante a gestão anterior. Cinco anos não foram suficientes para ensaiar uma desculpa.</p>
<p> </p>
<p>É fato. Como no dele, também no governo anterior o ex-presidente Lula se derramava em elogios ao então governador Lúcio Alcântara quando por aqui passava, mas nada de muito relevante deixava em suas mãos.</p>
<p> </p>
<p>A seu favor, ainda poderia o ex-governador alegar que seus aliados na bancada federal militavam na oposição e tinha bem menos a oferecer ao presidente em apoio e voto, ao contrário do seu sucessor, Cid Gomes.</p>
<p> </p>
<p>Agora, notinhas na imprensa, de viés provinciano, dão conta de “um ótimo relacionamento entre o governador e a presidente Dilma”. Pelos resultados obtidos, cabe perguntar: contra qual dos dois a informação depõe?</p>
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		<title>Bico duro, conversa mole.</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 02:19:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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Em coluna assinada de jornal, li declaração de alguém definido como “um petista do bico duro”, se é que isso ainda existe. São confissões reveladoras pela originalidade com que interpretam os fundamentos democráticos.
 
O presumido bico duro qualificou como “terra arrasada” o quadro político resultante de uma possível ruptura na aliança que mantém sob o mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Em coluna assinada de jornal, li declaração de alguém definido como “um petista do bico duro”, se é que isso ainda existe. São confissões reveladoras pela originalidade com que interpretam os fundamentos democráticos.</p>
<p> </p>
<p>O presumido bico duro qualificou como “terra arrasada” o quadro político resultante de uma possível ruptura na aliança que mantém sob o mesmo teto e em lados opostos da mesa o governador e a prefeita da capital.</p>
<p> </p>
<p>Em outro trecho da mesma nota, o petista – que, apesar do bico duro, preferiu se reservar no anonimato – disse que o cenário de ruptura, descrito por ele de modo dramático, só agradaria aos jornalistas de política.</p>
<p> </p>
<p>Bobagem. Os analistas de plantão formam uma unanimidade quase burra, e dela compartilho, na constatação de que o fim da aliança agora poderia ser o pior dos cenários para os interesses de ambos, governador e prefeita.</p>
<p> </p>
<p>Gente que assina o que diz tem repetido que uma ruptura só abriria a cena para uma terceira força, ao cacifar aliados secundários e dar sobrevida a grupos em fase declinante. A incerteza só é bom território para a oposição.</p>
<p> </p>
<p>Mas a ruptura não é necessariamente má para a cidade, ora. Não desce redondo, este texto de que, sem a tutela da aliança, a cidade mergulhará no caos. Inácio Arruda, Heitor Férrer e Renato Roseno merecem melhor crédito.</p>
<p> </p>
<p>O petista tem o direito de lutar para manter as coisas como estão (se estão boas para ele), mas qualificar como “terra arrasada” a possibilidade de que qualquer outra força venha a governar a cidade é um lapso fascista.</p>
<p> </p>
<p>Se a ruptura representaria um cenário de “terra arrasada” para os membros principais da aliança, para a sociedade em geral talvez seja apenas uma saudável oportunidade de respirar (ainda não está proibido).</p>
<p> </p>
<p>Postos em cena outros agentes, se fragiliza o oligopólio político, enriquece o debate político, revela novas lideranças, acolhe demandas sociais asfixiadas, enfim. Pense nisso, bico duro. E deixe de conversa mole.</p>
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		<title>Luizianne não está blefando: Pimentel não é, mas pode ser.</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 17:52:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Não é muito barulho por nada: quando a prefeita Luizianne Lins submete seu partido à exposição pública de seus impasses, consegue, pelo menos, manter-se na mídia como condutora do vetor principal da sua sucessão.
 
A última cartada foi colocar José Pimentel no tabuleiro como recurso de pressão sobre o principal aliado, Cid Gomes. Caso eleito, Pimentel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Não é muito barulho por nada: quando a prefeita Luizianne Lins submete seu partido à exposição pública de seus impasses, consegue, pelo menos, manter-se na mídia como condutora do vetor principal da sua sucessão.</p>
<p> </p>
<p>A última cartada foi colocar José Pimentel no tabuleiro como recurso de pressão sobre o principal aliado, Cid Gomes. Caso eleito, Pimentel abriria vaga no senado para Sérgio Novaes, desafeto juramentado do governador.</p>
<p> </p>
<p>Não seria o único incômodo. O nome do próprio Pimentel não soa bem aos ouvidos do governador, resquício da crise política em que a eleição do senador foi fator central na separação dos inseparáveis Tasso e Ciro.</p>
<p> </p>
<p>O espírito público e a altivez de temperamento de José Pimentel não batem bem com os métodos heterodoxos praticados no palácio e a cultura de mando vigente no seu entorno, mais afeita aos colaboradores de baixa estima.</p>
<p> </p>
<p>Há, talvez, alguém bem mais interessado na indicação de Pimentel como candidato a prefeito do que a própria Luizianne: o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB de Cid Gomes, Eduardo Campos.</p>
<p> </p>
<p>Campos, que não tem lá o grupo familiar do governador em muito boa conta e luta para se viabilizar na sucessão presidencial, não desprezaria a possibilidade de contar com mais um senador em seu partido. É relevante.</p>
<p> </p>
<p>O ganho midiático da prefeita com o impasse, o trato distante entre Pimentel e Cid Gomes e os interesses da direção nacional do PSB são aspectos não anotados pela imprensa no acompanhamento do episódio.</p>
<p> </p>
<p>Há, ainda, mais outro aspecto não percebido ou, pelo menos, registrado: Eleito prefeito, Pimentel não só abriria espaço no senado ao amigo maior da prefeita, Sérgio Novaes. Haveria outro ganho, ainda mais expressivo.</p>
<p> </p>
<p>Com Pimentel na prefeitura, Luizianne removeria do cenário sucessório estadual de 2014 o único nome que, naquelas circunstâncias, rivalizaria em peso político com o seu no partido, deixando a pista livre para decolagem.</p>
<p> </p>
<p>Mesmo com tudo isso, até aqui vale mais o que todos já sabem: o candidato preferencial da prefeita agora é o seu secretário de Educação, Elmano de Freitas. Por ora, Pimentel se presta apenas como recurso de pressão.</p>
<p> </p>
<p>Mas não é um blefe. Se necessário, poderá concorrer. Se havia dúvidas, o senador tratou de dissipá-las em declarações a O Povo desta segunda-feira. Em seu estilo, sutil e estudado, deve ser lido nas entrelinhas. Leia-se.</p>
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		<item>
		<title>Xeque-mate, governador?</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 17:52:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Em política, sua excelência, os fatos. Se ainda havia alguém falando grosso sobre sucessão municipal no partido do governador Cid Gomes, que limpe a garganta e trate de sentar à mesa: um fato novo pode dar fim à cena.
Para que não houvesse dúvidas, foi Luizianne Lins, prefeita e presidente do partido, quem trouxe a informação: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Em política, sua excelência, os fatos. Se ainda havia alguém falando grosso sobre sucessão municipal no partido do governador Cid Gomes, que limpe a garganta e trate de sentar à mesa: um fato novo pode dar fim à cena.</p>
<p>Para que não houvesse dúvidas, foi Luizianne Lins, prefeita e presidente do partido, quem trouxe a informação: o senador José Pimentel também se colocaria à disposição do partido como pré-candidato à sucessão.</p>
<p>Para os Ferreira Gomes, o problema não seria o senador, mas seu suplente. Eleito prefeito, Pimentel abriria vaga no senado para Sérgio Novaes, um “inimigo da família”, carne e unha com a prefeita da cidade.</p>
<p>Pimentel não aceitaria participar da manobra apenas por devoção ao sacrifício. Ele não poderá usar o clichê de que agiu como “soldado do partido”. Não. O senador tem o governo do estado no seu horizonte político.</p>
<p>Para chegar lá, sabe quão importante é manter seu partido no comando administrativo da capital e, para isso, a aliança com o governador nas eleições deste ano amplia, em meio às incertezas, as chances de vitória.</p>
<p>Ao colocar Pimentel no tabuleiro das tratativas, não moveu o PT uma peça com o objetivo alegado – seria um candidato capaz de unificar o partido. Conversa mole. A manobra visa um xeque-mate, render o governador.</p>
<p>Com Cid Gomes no colinho da loura, o partido estaria livre para indicar qualquer um de seus filiados como candidato a prefeito ser dar ao Ferreira Gomes a oportunidade de impor restrições de ordem maior.</p>
<p>Pimentel entraria em cena como bode na sala. Para evitar o pior pesadelo – legar a Sérgio Novaes seis anos de senado – o governador aceitaria perder uma noite de sono, aceitando qualquer outro nome, menos aquele.</p>
<p>Difícil seria acreditar que, conduzido à assinatura do acordo de mãos atadas, o governador muito se esforce por manter os demais partidos da base aliada unidos na sucessão de Fortaleza em torno do nome petista. Não o fará.</p>
<p>No caso, é possível que o PCdoB de Inácio Arruda e até o PMDB recebam bênçãos do governador, ainda que veladas, para entrar na disputa. Cid Gomes cederia à coligação o seu partido, mas não a força de seu governo.</p>
<p>Cenário propício para a exibição de uma decantada habilidade da família: reza a lenda que o PSB é uma “faca de dois Gomes”, sutileza que define o exacerbado oportunismo que demonstra em sua vocação para o poder.</p>
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		<title>Pesquisa, prá quê te quero?</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 19:59:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de estabelecido o impasse, quando o candidato preferido de Luizianne Lins para sucedê-la declinou do convite, o partido pediu tempo, fazendo circular a versão de que realizaria “pesquisas” para decidir.
Pense uma bobagem. Se o partido tivesse estabelecido, em janeiro de 2004, uma pesquisa de opinião como critério de escolha, a atual prefeita nunca teria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de estabelecido o impasse, quando o candidato preferido de Luizianne Lins para sucedê-la declinou do convite, o partido pediu tempo, fazendo circular a versão de que realizaria “pesquisas” para decidir.</p>
<p>Pense uma bobagem. Se o partido tivesse estabelecido, em janeiro de 2004, uma pesquisa de opinião como critério de escolha, a atual prefeita nunca teria tomado assento no Palácio do Bispo. Quem sabe faz a hora&#8230;ora!</p>
<p>Não direi uma novidade para os tuxauas petistas: na fase atual do processo, pesquisas na modalidade “quantitativa” em geral oferecem indicativos precários para a dimensão do problema que se pretende resolver. </p>
<p>Conseguem, quando muito, definir o potencial dos prováveis candidatos somente para o início da disputa. São indicações motivadas basicamente pelo recall (grau de conhecimento) e reação geral à imagem consolidada.</p>
<p>No limite, ainda é possível avançar um pouco mais, antecipando para o eleitor informações adicionais que esclareçam o contexto político da candidatura. Coloca-se o problema em maior perspectiva. </p>
<p>Explico. Isoladamente, o nome de um candidato obterá um índice. Se a ele – Acrísio Sena, por exemplo – for acrescentado que “apoia Luizianne Lins”, se obterá outro índice. A preço de hoje, talvez piore um pouco. </p>
<p>Mas, se após a informação, lhe for dito ainda que o candidato “tem o apoio do presidente Lula”, será outro, o resultado – bem melhor, certamente. E se for informado de que “também conta com o apoio de Cid Gomes”, como reagirá?</p>
<p>Para o arcebispado petista, nada disso é novidade. Eles sabem que em meio a um quadro tão indefinido, pesquisas de opinião são ferramentas válidas, mas precisam ser colhidas com experimentadas reservas.</p>
<p>Fontes bem informadas asseguram que, entre os petistas, o deputado federal Artur Bruno está melhor posicionado que os demais em pesquisas recentes. Acredito. Mas não considero este o melhor indicativo para apoiá-lo.</p>
<p>Se tiverem de indicá-lo – e tomo também ele aqui apenas como exemplo – certamente o farão por outras razões, relativas a atributos consolidados de sua trajetória política, características pessoais e potencial agregador. </p>
<p>O mesmo cálculo valeria para os demais. Nenhum alcança índice de popularidade para fazer deste um aspecto determinante de escolha. Se fosse por aí, o nome para a aliança seria Inácio Arruda. Fora de cogitação. </p>
<p>Um “ficha limpa” com boa história para contar, capaz de agregar forças e obter bom desempenho público, e, ainda, que possa convencer a sociedade de que terá autonomia para corrigir os rumos aonde for necessário: eis o cara.</p>
<p>Desconfio de que o perfil acima defina melhor as expectativas do principal aliado, o governador Cid Gomes, do que a vontade pessoal da prefeita – no último aspecto, sobretudo. E, hoje, todo o impasse se resume a isso.</p>
<p>Para definir seu candidato e agregar as forças políticas necessárias, o PT não precisa tanto de pesquisas. Precisa definir um perfil e descobrir, entre seus filiados, em qual deles cairá melhor o corte. </p>
<p>Faz assim quem quer vencer, mas sabe que pode perder. O nome disso? Tem gente que torce o nariz, mas eu vou dizer: Marketing. Se quiserem, os mais recatados podem chamar também de “estratégia eleitoral”. Dá no mesmo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O discreto charme de uma boa gerente</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 22:27:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No governo do ex-presidente Lula se deu o bem sucedido encontro entre as boas notícias e o bom mensageiro, quando uma fase de prosperidade foi liderada por um personagem carismático.
O país encontrava um meio de crescer e distribuir renda ao mesmo tempo e o processo estava sob o comando de um presidente em quem o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No governo do ex-presidente Lula se deu o bem sucedido encontro entre as boas notícias e o bom mensageiro, quando uma fase de prosperidade foi liderada por um personagem carismático.</p>
<p>O país encontrava um meio de crescer e distribuir renda ao mesmo tempo e o processo estava sob o comando de um presidente em quem o povo confiava e com apetite para aproveitar as oportunidades do palanque.</p>
<p>Com a posse na presidência de Dilma Rousseff, uma estreante no espetáculo eleitoral, havia entre as forças que apoiavam o governo – natural que houvesse – grande reserva sobre seu desempenho de governante em cena.</p>
<p>Receava-se que a ela faltassem recursos de empatia para conquistar, na relação direta com a população, as condições necessárias para resistir a pressões, vulnerável demais àqueles interesses nunca confessados.</p>
<p>Agora, Dilma conclui um ano de mandato com uma surpreendente notícia: os índices de popularidade do seu governo – vejam bem: não os seus, necessariamente, mas de sua ação institucional – bateram recordes.</p>
<p>Segundo pesquisa Datafolha divulgada domingo último, há, em cada dez brasileiros, pelos menos seis que definem o desempenho do governo federal com termos que significam aprovação, confiança e apoio: “bom” e “ótimo”.</p>
<p>Fácil perceber, a continuidade do bom desempenho na condução da política econômica, reforçada pela percepção comparativa do cenário externo desfavorável, é o vetor principal a puxar para cima a curva de aprovação.</p>
<p>Há, ainda, outros fatores, mais relacionados à atitude da presidência, que podem ser creditados como uma maior, e mais favorável, definição da imagem da governante perante a opinião pública.</p>
<p>Em primeiro lugar, acertou a presidente em não perseguir o estilo do seu antecessor – figurino que, inadequado para seus traços pessoais, soaria caricato. Dilma apostou no bom senso e se deu bem. O povo entendeu. </p>
<p>Entendeu que Dilma não é Lula e não precisa necessariamente perseguir o estilo consagrado do seu líder para manter elevados os índices de aprovação do projeto comum. É o curso dos fatos que não pode mudar de rumo. Só isso.</p>
<p>Larga maioria define a presidente como uma pessoa “inteligente” e “sincera”. Aí, a percepção não só de sua condição intelectual diferenciada, mas também de uma maior economia nos apelos fantasistas da retórica.</p>
<p>Outra qualidade a ela atribuída na pesquisa é ser “decidida”. Tem-se, no caso, talvez, uma manifestação favorável ao modo como a presidente lidou com as sucessivas crises ministeriais: esperou só o tempo certo e agiu.</p>
<p>Há, ainda na pesquisa, um aspecto que, para os habituados com marketing político, é sempre revelador do nível de consistência da resposta obtida: os bons resultados se mostram semelhantes em todos os cortes sociais.</p>
<p>A diferença de aprovação entre os menos escolarizados e mais pobres, de um lado, e os de melhor formação e de maior renda, de outro, é de apenas dois por cento – dentro da margem de erro indicada para o método de consulta.</p>
<p>Significa dizer que, se há focos de resistência ao governo (seis por cento dos consultados o desaprovam), não têm por base interesses objetivos muito sólidos. São decorrentes de conjunturas pontuais ou disparidade de valores.</p>
<p>Isso fica ainda mais evidente quando a pesquisa demonstra que engrossam as fileiras dos que aprovam seu desempenho quatro em cada dez eleitores fiéis ao PSDB consultados. O dado é relevante. </p>
<p>O transbordamento da boa disposição para fora da aliança governista dificulta a construção de um discurso de oposição com boas perspectivas de poder. Afinal, farão campanha contra seus eleitores? O dilema persiste.</p>
<p>Nunca é demais ressaltar que se trata aqui de uma aprovação absoluta (“Bom” e “ótimo”) de 59 por cento da população em um país que ainda se debate com entraves estruturais e graves problemas sociais.</p>
<p>Mas, mesmo esta relatividade, crônica na avaliação de todos os êxitos obtidos em países de desenvolvimento desigual, se expressa em índices aceitáveis: um terço da população considera o desempenho apenas regular.</p>
<p>O que tudo isso quer dizer? Que a avaliação se dá primordialmente como base de confiança, reflete resultados ainda não definitivos: mais do que o obtido, vale aí a crença, generalizada, de que vai dá prá chegar lá.</p>
<p>Com aquele estilo “dona de casa durona, mas zelosa com as contas e o conforto da família”, a sensação de aridez emocional que Dilma transmite é largamente compensada por provas de compromisso e competência.</p>
<p>O que estou querendo dizer, se já não o disse, é: se os brasileiros ainda não a amam, como amam a Lula – e ela pouco tem se dedicado ao flerte – é certo que todos já a respeitam muito. Respeito é bom. Todo mundo gosta.</p>
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		<title>Aquele que nunca foi não mais será</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 19:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A manchete principal do jornal informava: “Catanho está fora da disputa”. Consultados fossem naquele mesmo dia os que passavam em frente à banca e liam a manchete, quase ninguém saberia dizer de quem tratava a notícia.
A eles, o lead esclarecia, logo abaixo: o articulador político da prefeitura de Fortaleza, Waldemir Catanho, rejeitara a indicação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A manchete principal do jornal informava: “Catanho está fora da disputa”. Consultados fossem naquele mesmo dia os que passavam em frente à banca e liam a manchete, quase ninguém saberia dizer de quem tratava a notícia.</p>
<p>A eles, o lead esclarecia, logo abaixo: o articulador político da prefeitura de Fortaleza, Waldemir Catanho, rejeitara a indicação de Luizianne Lins como candidato preferencial do seu partido à sucessão na capital.</p>
<p>Assim, aquele que nunca foi deixou de ser. Ninguém, entre os informados, apostava um centavo em outro desfecho. O cara jogou limpo: se a todos dizia não desejar a indicação, quando pressionado confirmou sua opção.</p>
<p>Há dias, fui tratado com virulência por um destabanado membro do primeiro escalão municipal porque afirmei aquilo que agora se confirma – Catanho não será e não será porque não quer. Simples assim. </p>
<p>Se recusou o desafio por não acreditar – a menos provável das versões – que um candidato “fotocópia autenticada” da gestão da qual participa não empolgaria o eleitor, isso ele jamais dirá, talvez nem mesmo à prefeita. </p>
<p>Caso tenha mesmo desistido pelo motivo alegado – não se julgaria com o perfil mais adequado ao desafio – deu ao ambiente político, onde todos estão o tempo todo ávidos pelo controle de tudo, um constrangedor exemplo.</p>
<p>Aliás, já ouviram do que se passa na Costa Rica? Uma democracia que vai muito bem, obrigado, sem permitir aos cidadãos duas eleições sucessivas para nenhum cargo, de vereador a presidente da república. </p>
<p>Somente você, que não sofre sequelas mentais pelo convívio no “ramo”, pode julgar normal a recusa de Catanho, mas não é comum alguém se manter tão irredutível diante das sedutoras perspectivas de exercício do poder.</p>
<p>Ao declarar preferência pelo nome dele, já ciente de sua resistência em aceitar a indicação, talvez tenha a prefeita tentado submetê-lo a um fato consumado. Ainda assim, o que lhe parecia o canto dos cisnes não o seduziu.</p>
<p>O desgaste sobrou para Luizianne que, declarando sua preferência à revelia, se vê agora mais fragilizada, quando haverá de retomar o diálogo interno considerando a relevância de forças que já havia conseguido ultrapassar. </p>
<p>A manchete principal do jornal informava: “Catanho está fora da disputa”. Consultados fossem naquele mesmo dia os que passavam em frente à banca e liam a manchete, quase ninguém saberia dizer de quem tratava a notícia.</p>
<p>A eles, o lead esclarecia, logo abaixo: o articulador político da prefeitura de Fortaleza, Waldemir Catanho, rejeitara a indicação de Luizianne Lins como candidato preferencial do seu partido à sucessão na capital.</p>
<p>Assim, aquele que nunca foi deixou de ser. Ninguém, entre os informados, apostava um centavo em outro desfecho. O cara jogou limpo: se a todos dizia não desejar a indicação, quando pressionado confirmou sua opção.</p>
<p>Há dias, fui tratado com virulência por um destabanado membro do primeiro escalão municipal porque afirmei aquilo que agora se confirma – Catanho não será e não será porque não quer. Simples assim. </p>
<p>Se recusou o desafio por não acreditar – a menos provável das versões – que um candidato “fotocópia autenticada” da gestão da qual participa não empolgaria o eleitor, isso ele jamais dirá, talvez nem mesmo à prefeita. </p>
<p>Caso tenha mesmo desistido pelo motivo alegado – não se julgaria com o perfil mais adequado ao desafio – deu ao ambiente político, onde todos estão o tempo todo ávidos pelo controle de tudo, um constrangedor exemplo.</p>
<p>Aliás, já ouviram do que se passa na Costa Rica? Uma democracia que vai muito bem, obrigado, sem permitir aos cidadãos duas eleições sucessivas para nenhum cargo, de vereador a presidente da república. </p>
<p>Somente você, que não sofre sequelas mentais pelo convívio no “ramo”, pode julgar normal a recusa de Catanho, mas não é comum alguém se manter tão irredutível diante das sedutoras perspectivas de exercício do poder.</p>
<p>Ao declarar preferência pelo nome dele, já ciente de sua resistência em aceitar a indicação, talvez tenha a prefeita tentado submetê-lo a um fato consumado. Ainda assim, o que lhe parecia o canto dos cisnes não o seduziu.</p>
<p>O desgaste sobrou para Luizianne que, declarando sua preferência à revelia, se vê agora mais fragilizada, quando haverá de retomar o diálogo interno considerando a relevância de forças que já havia conseguido ultrapassar. </p>
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		<title>Não se esqueça de combinar com a gente</title>
		<link>http://www.ricardoalcantara.com.br/2012/01/nao-se-esqueca-de-combinar-com-a-gente/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 18:01:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há sinergia entre o governador e a prefeita. Até aí, problema deles. Pior, é não haver sinergia entre as duas gestões – estado e capital. As máquinas não dialogam. Atuam quase sem convergência. Assim, perdemos todos.
Mas são mantidos assim os casamentos entre os que têm muito a perder: mesmo se a afinidade evapora, fica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não há sinergia entre o governador e a prefeita. Até aí, problema deles. Pior, é não haver sinergia entre as duas gestões – estado e capital. As máquinas não dialogam. Atuam quase sem convergência. Assim, perdemos todos.</p>
<p>Mas são mantidos assim os casamentos entre os que têm muito a perder: mesmo se a afinidade evapora, fica um patrimônio a preservar. A metáfora procede, quando se trata da aliança de Cid Gomes e Luizianne Lins.</p>
<p>Pode-se duvidar, e muitos o fazem agora, da vocação gestora da prefeita e mesmo da pouca perícia com que escolhe as palavras e os momentos de dizê-las, mas há por aqui poucos talentos políticos com intuição de igual calibre.  </p>
<p>A pergunta é: para onde olha ela, quando opta, sob o argumento personalista da lealdade, por um candidato à sua sucessão sem precedente eleitoral, mesmo com o agravante de sua insuficiente popularidade?</p>
<p>A movimentação mais recente dos bastidores indica que a prefeita mira na dimensão dos danos que sofreria seu parceiro eventual, o governador Cid Gomes, caso recusasse apoio ao candidato indicado por ela.</p>
<p>Luizianne empurra o parceiro para o canto do ringue. Responsabilidades de Estado de quem administra um condomínio pobre podem levar o governador a recolher seus ímpetos autoritários e render-se ao indesejável.</p>
<p>A prefeita conta com o carisma de Lula, o apoio do governo federal, o controle da máquina na capital, tem maioria na Câmara, é presidente do partido e controla o diretório municipal. Tem, enfim, os cordões nos dedos.</p>
<p>Como a precedência para indicar o candidato da aliança é do PT, uma recusa do governador em apoiar o nome apontado ali pode significar o acolhimento de dois problemas que ele por certo não desejaria enfrentar.</p>
<p>O primeiro está em Brasília, quando veria turvada a até agora boa relação institucional com o Palácio do Planalto, onde contra ele já conspira um influente companheiro de partido, o presidenciável Eduardo Campos.</p>
<p>Outro problema adquirido e não menos relevante – eu diria, ainda mais relevante – seria jogar o PT no leito turbulento da oposição, águas onde aquele partido navega com grande capacidade de produzir estragos.  </p>
<p>Retrospectivamente, vocês imaginem aí as enxaquecas do governador se tivesse enfrentado aqueles episódios todos – jatinho da sogra, escândalo dos banheiros, greve da polícia – com o PT livre, leve e solto. Seria terrível.</p>
<p>Talvez seja esse o cálculo da prefeita quando tenciona ao máximo a capacidade de tolerância de aliados que, afinal, miram, como objetivo prioritário, as eleições seguintes para o governo do estado. </p>
<p>O silencio nada inocente dos desafetos dela no governo é sintomático de um possível recuo. Mas, ainda que consiga curvá-los, lembre-se a prefeita de um pequeno detalhe: ainda precisa combinar tudo bem direitinho com o eleitor. </p>
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