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	<title>Ricardo Alcantara</title>
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		<title>&#8220;Só Lula salva&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 03:03:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Tão logo colocou seu candidato, secretário Elmano Freitas, na cabeceira da pista para decolagem, a prefeita Luizianne Lins foi, por iniciativa dos próprios aliados, alvejada pela publicação de uma pesquisa eleitoral que lhe trouxe as piores notícias.
 
A prefeita, diante do fato negativo, criou uma versão. A que lhe restou foi desqualificar a pesquisa por ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Tão logo colocou seu candidato, secretário Elmano Freitas, na cabeceira da pista para decolagem, a prefeita Luizianne Lins foi, por iniciativa dos próprios aliados, alvejada pela publicação de uma pesquisa eleitoral que lhe trouxe as piores notícias.</p>
<p> </p>
<p>A prefeita, diante do fato negativo, criou uma versão. A que lhe restou foi desqualificar a pesquisa por ser “encomenda de partido”. Poderia ter acrescentado que, em outra ocasião, o presidente do instituto, Ibope, já fora acusado de “vendido” pelo mesmo contratante.</p>
<p> </p>
<p>A seu ver, não deveria admitir publicamente que o resultado não é diferente do exposto nas pesquisas que ela mesma contrata. Na perspectiva de seu interesse, está certa em dizer que a pesquisa está errada, mesmo sabendo que a pesquisa está certa e o que ela diz, errado.</p>
<p> </p>
<p>Com aliados assim, quem precisa de adversários? E sequer pode reclamar: trata-os mal, igualmente. Certo é que quando um terço dos eleitores diz que não aprova a sua gestão, isto se chama oposição. Quando dois terços dizem o mesmo, é melhor mudar de direção.</p>
<p> </p>
<p>As más notícias não se resumem ao fato de que em seu partido nenhum candidato é forte na largada (Artur Bruno, o melhor, tem 5% contra 8% de Renato Roseno) e sua gestão é muito mal avaliada (80% deseja mudança, 66% a desaprova, 36% a considera “péssima”).</p>
<p> </p>
<p>Somadas as indicações dos candidatos já definidos – e todos se colocam numa perspectiva de mudança – obtém-se 89% das intenções de voto. Mais. Partem de um patamar elevado de reconhecimento (somente Renato Roseno é desconhecido para mais de 20% dos eleitores).</p>
<p> </p>
<p>A seu favor, poderia contabilizar a rejeição acentuada dos adversários (Inácio, 34%, Moroni, 38%, Cals, 39%), mas seu candidato, Elmano Freitas, já bate nos 29%. Motivado pelo nível de desconhecimento? Nem tanto: Artur Bruno, bem conhecido, ostenta o mesmo índice.</p>
<p> </p>
<p>A influência negativa de seu apoio consegue a proeza de superar um campeão olímpico: 40% para Tasso Jereissati, 56% para ela, enquanto seu potencial agregador (18%) não chega a dois terços dos índices de alguém quase inativo há seis anos (Lúcio Alcântara pontua com 33%).</p>
<p> </p>
<p>Nisso tudo, o pior é que nem mesmo a hipótese de aliança com o governador animaria. Ao contrário, 68% dos consultados desejam vê-los separados. Significa dizer que, em provável acordo, há maior potencial para acumular rejeições do que conciliar fatores positivos.</p>
<p> </p>
<p>Em uma fala – política, ainda mais – às vezes o significado está mais no que foi ocultado do que naquilo que foi dito. Foi o que aconteceu quando o deputado José Airton disse que o PT de Fortaleza tem chances eleitorais com base no prestígio popular da presidente Dilma</p>
<p> </p>
<p>Com isso, admite ele, e reforça quando o diz, a percepção de que seu partido não tem, como força eleitoral, nem prefeita, nem candidato. Sim, é verdade: a ação da máquina municipal, somada aos mísseis balísticos de longo alcance Lula e Dilma, pode decidir a batalha.</p>
<p> </p>
<p>Ao se admitir a excepcional capacidade de influência deles, a pergunta é: ainda assim, a pedido deles, e somente por eles, o cidadão de Fortaleza aceitaria mesmo fechar os olhos para o que vê e deixar de sentir o que sente? Tão cedo não saberemos a resposta.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>Fuentes que não secam</strong></p>
<p> </p>
<p>Aos 83 anos, recebeu a indesejada visita o escritor mexicano Carlos Fuentes. Certa vez, quando censurado em seu país, e observando o aumento causado pelo fato na vendagem de suas obras no exterior, convidou o presidente mexicano para ser seu agente literário.</p>
<p> </p>
<p>Dele, de quem já conhecia <em>Gringo velho</em> e <em>Aura</em>, li recentemente <em>A cadeira da águia</em>. Sei que daqui a vinte anos ainda me lembrarei da obra – uma radiografia ficcional dos embustes pseudodemocráticos da América latina.</p>
<p> </p>
<p>A propósito: qual era mesmo o nome do presidente que o censurou? Ninguém lembra. De Carlos Fuentes lembraremos sempre.</p>
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		<title>Como perder uma eleição</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 14:56:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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Se você governa uma cidade com mais de dois milhões de pessoas e, apesar da grana preta que tem investido em propaganda, ainda assim seis em cada dez eleitores fazem uma avaliação negativa de sua gestão, não se preocupe.
 
Será fácil perder a eleição, caso seja este o seu desejo. Se a metade dos eleitores já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p> </p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Se você governa uma cidade com mais de dois milhões de pessoas e, apesar da grana preta que tem investido em propaganda, ainda assim seis em cada dez eleitores fazem uma avaliação negativa de sua gestão, não se preocupe.</p>
<p> </p>
<p>Será fácil perder a eleição, caso seja este o seu desejo. Se a metade dos eleitores já declarou que não votaria de jeito nenhum em um candidato indicado por você, eis aí a boa notícia: metade do caminho já foi cumprido.</p>
<p> </p>
<p>Falta agora, tão somente, concluir o serviço. É fácil. De início, trate de fazer sua parte, indicando como herdeiro de toda essa popularidade um candidato sob medida para sua tão sonhada derrota e o resto virá por acréscimo.</p>
<p> </p>
<p>Para começar, escolha alguém desconhecido, sem atributos positivos reconhecidos pelos eleitores. Assim, ele não oferecerá nenhuma resistência ao esforço dos adversários em colar nele todas as causas de sua rejeição.</p>
<p> </p>
<p>Será uma cópia autenticada do que, segundo eles, você fez de pior: buracos nas ruas, lixo nas calçadas, trânsito caótico, filas nos postos de saúde – você sabe, aquelas mentiras que os adversários costumam espalhar por aí.</p>
<p> </p>
<p>Agora, seu candidato, apoiado por militantes remunerados, terá que dividir o tempo e a energia que deveria dedicar à construção de uma boa imagem com cansativas explicações sobre atrasos em obras e outros queixumes.</p>
<p> </p>
<p>Não se preocupe com a propaganda eleitoral: afinal, o que seu candidato dirá em 50 dias não é muito diferente do que você vem dizendo há meses e, lá, ele será contraditado por um pelotão de adversários, alguns muito inteligentes.</p>
<p> </p>
<p>Pronto. Com elevada rejeição e um candidato desconhecido, será mais fácil dar o passo seguinte: passe a tratar seus principais aliados como inimigos de infância e aí, onde quer que esteja agora, Maquiavel sentirá inveja de você.</p>
<p> </p>
<p>Disperse a base. Mande essa gente passear. Que percam de vez a esperança aqueles caras com longa tradição de militância entre os seus mesmos eleitores. Afinal, se é para perder, vamos começar dentro de casa.</p>
<p> </p>
<p>Quanto ao governador do estado, faça de conta que ele não manda em nada. Ignore o fato de que ele tem mais aliados que você, inclusive dentro do seu próprio partido. De tanto maltratá-lo, é possível que ele acabe convencido.</p>
<p> </p>
<p>Quem sabe, entenda de uma vez por todas que o lugar dele é na oposição, como, aliás, é obrigado a ouvir todos os domingos, quando se reúne com a própria família para a tradicional feijoada. Com gente teimosa, só vai assim.</p>
<p> </p>
<p>Há algo mais que por dever de ofício devo dizer, antes de concluir: este não é um plano com garantia absoluta de êxito. Conte com a possibilidade de que seus adversários venham a cometer erros crassos – alguns são bons nisso.</p>
<p> </p>
<p>Vai que o Inácio Arruda decide fazer contigo o que fez com a Patrícia Saboya? E se o Moroni se aliar de novo com o Tasso Jereissati? Já pensou se o Cid Gomes lança o cara que soltou a polícia em cima dos professores?</p>
<p> </p>
<p>Não estou com isso querendo lhe tirar o sono, mas você sabe: coisas más também acontecem a quem só deseja uma mísera derrota. Siga seu plano e reze para que os adversários acreditem que este é seu mais sincero desejo.</p>
<p> </p>
<p>Sei que você não me pediu conselho e se fosse mesmo coisa boa – é o que dizem – ninguém dava, vendia. Mas eu também sei que você odeia o poder e não vê a hora de largar tudo isso. E nem precisa agradecer: eu disse o óbvio.</p>
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		<title>Cid Gomes: nem temido, nem amado.</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 17:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Não delete! Prometo não tocar naquele assunto desagradável, a novelinha mexicana sobre a escolha do candidato petista à prefeitura da capital. Aquilo lá já virou briga de comadres. Você e eu temos mais o que fazer.
 
Por força de minhas obrigações profissionais, tenho acesso frequente a pesquisas de opinião realizadas em todas as regiões do estado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Não delete! Prometo não tocar naquele assunto desagradável, a novelinha mexicana sobre a escolha do candidato petista à prefeitura da capital. Aquilo lá já virou briga de comadres. Você e eu temos mais o que fazer.</p>
<p> </p>
<p>Por força de minhas obrigações profissionais, tenho acesso frequente a pesquisas de opinião realizadas em todas as regiões do estado e elas revelam um quadro que muitos na imprensa – o porquê, não sei – têm evitado.</p>
<p> </p>
<p>Os índices não confirmam a avaliação de alguns intérpretes, quando conferem ao peso da participação do governador Cid Gomes força quase decisiva mesmo em Fortaleza – e quem dirá onde o vento faz a curva.</p>
<p> </p>
<p>Os números indicam um governo de estado enfraquecido. As consultas não apontam uma percepção expressiva de nenhum aspecto em especial que demarque um diferencial em sua atuação – e lá se foram mais de cinco anos.</p>
<p> </p>
<p>Em contrapartida, são acentuadas as reações negativas a alguns setores, sobretudo em questões de segurança, com aguda sensação de perda de controle sobre problemas relacionados ao uso de drogas.</p>
<p> </p>
<p>Não é nada que se compare ainda à avalanche de rejeição que desaba sobre a cabeça da prefeita da capital, Luizianne Lins, que já alcança índices próximos de 50 por cento a apenas cinco meses do seu desejado plebiscito.</p>
<p> </p>
<p>O termo que melhor definiria o que se lê nos índices levantados sobre o governo do estado é “apatia” – a massa frouxa de uma maioria imobilizada por um misto de indiferença e desinformação. A imagem é pálida.</p>
<p> </p>
<p>Não significa dizer – nunca foi assim e não será diferente agora – que os recursos acionados por um governo de estado possam ser desprezados em disputas eleitorais travadas em territórios municipais pobres e dependentes.</p>
<p> </p>
<p>Mas o apoio político do governador, com base em seu prestígio popular e potencial de transferência de votos, ficará distante, por exemplo, do caráter imperioso que o Ceará conheceu com Tasso Jereissati e Ciro Gomes.</p>
<p> </p>
<p>Como Lúcio Alcântara, Cid Gomes não impressiona. Sua gestão é, inclusive, pior avaliada hoje do que a de seu antecessor no mesmo período, mas leva sobre ele a grande vantagem de deter uma frente partidária muito ampla.</p>
<p> </p>
<p>A vantagem decorre da fragilidade dos poucos canais políticos abertos à drenagem dos sentimentos de insatisfação que aquela hegemonia, calcada mais em favores do que motivações, represa, mas não elimina.</p>
<p> </p>
<p>Ao contrário de Lula e Dilma, Cid não faz <em>a</em> diferença. Não significa dizer que não faça diferença nenhuma o apoio da máquina que comanda, mas não será decisiva onde fatores locais mais acentuados se manifestarem.</p>
<p> </p>
<p>Para o amplo apoio político que recebe e o quadro financeiro positivo da gestão, somados a uma boa tradição de governança herdada, o governador deveria estar um passo à frente na afirmação de sua vontade. Não está.</p>
<p> </p>
<p>Faltam a ele desenvoltura, ao seu governo diferenciais substantivos e à sua comunicação atributos elementares de competência. O fato é que, se não é muito o que se tem dito contra ele, a favor é igualmente escasso.</p>
<p> </p>
<p>Para efeito das eleições municipais, o apoio do governador ainda será quase sempre um fator positivo, mas decisivo apenas onde houver <em>déficits</em> locais de liderança. Cid Gomes não chega a ser temido e está longe de ser amado.</p>
<p> </p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Parece que foi anteontem</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 03:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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A política está obsoleta. Obsoleta nos termos em que se definia até o final do século passado – já tão remoto, embora tão recente. Antes revestimento, os ritos públicos são agora a própria substância do fazer – praxis virtualizada.
 
Contra o charme niilista hoje muito em voga – servidor involuntário do ideal conservador de estagnação – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>A política está obsoleta. Obsoleta nos termos em que se definia até o final do século passado – já tão remoto, embora tão recente. Antes revestimento, os ritos públicos são agora a própria substância do fazer – <em>praxis</em> virtualizada.</p>
<p> </p>
<p>Contra o charme niilista hoje muito em voga – servidor involuntário do ideal conservador de estagnação – ofereço o absurdo da minha esperança e justifico: não há precedentes históricos para impasses permanentes.</p>
<p> </p>
<p>Algo se move, mesmo que não o possamos ainda perceber. Mesmo no limite do pessimismo, ainda veria um ponto de inflexão na aparente imobilidade: sem que mais sejamos o que já fomos, ainda não somos o que seremos.</p>
<p> </p>
<p>O ocaso dos partidos políticos como grupos de representação de classe e concepção acabada do mundo coincide com a emergência de uma nova dinâmica social sustentada pelos avanços tecnológicos recentes.</p>
<p> </p>
<p>Se aqui falo de redes sociais – sim, é disso que se trata – estou movido menos pelo que elas são e muito mais pelo potencial do que virá: o presente é apenas a pré-história de um futuro insondável. <em>Facebook</em> (quase) já era.</p>
<p> </p>
<p>Agora, quando escrevo este novo parágrafo, sou como um velho marinheiro que, embora não consiga enxergar o horizonte em meio ao nevoeiro, tem suficientes milhas de navegação para saber que ele sempre estará lá.</p>
<p> </p>
<p>A obsoletização da política não é um desarranjo. Há conexão lógica entre partidos que não representam e democracias que não acolhem a vontade popular com nações sem soberania, geridas por um Capital sem face.</p>
<p> </p>
<p>O fenômeno não deveria surpreender. Ele se move sobre um mundo físico onde se ara o chão sem lavradores e fábricas prescindem de operários. Agora, a força política se desloca dos que trabalham para os que consomem.</p>
<p> </p>
<p>O mundo está de cabeça para baixo? Não, apenas mudou, e tão rápido que nos fez perder o senso de direção. Mas é momentâneo, o impasse. A radical plasticidade do novo tempo atordoa, mas logo revelará sua metaestrutura.</p>
<p> </p>
<p>Como já disse o poeta que um dia decidiu desaparecer, “o novo sempre vem”. Enquanto houver gente em pé, será tempo de fazer. E mesmo que não saibamos o quê, faremos: humanos, estamos condenados a agir.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Retrato de um Judas antes da forca</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 15:57:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Todo governo tem seu Judas. Previamente escalado, ele fica à disposição para pagar a conta. É o bode expiatório: caso algo dê errado, é ele quem vai para o cadafalso quando os pescoços da realeza precisam ser preservados.
 
Geralmente, cabem a ele as operações mais delicadas. Sua tarefa é gerenciar contravenções sob a proteção de quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Todo governo tem seu Judas. Previamente escalado, ele fica à disposição para pagar a conta. É o bode expiatório: caso algo dê errado, é ele quem vai para o cadafalso quando os pescoços da realeza precisam ser preservados.</p>
<p> </p>
<p>Geralmente, cabem a ele as operações mais delicadas. Sua tarefa é gerenciar contravenções sob a proteção de quem deveria puni-las. É quem chafurda no lodo para que o príncipe se mantenha com as unhas polidas.  </p>
<p> </p>
<p>Para ser um Judas governamental de primeira linha, são necessários atributos específicos. Ser temerário é um deles. O cara tem que ter alma de corsário. Quem tem medo de bola dividida jamais será um bom Judas.</p>
<p> </p>
<p>Outro atributo igualmente importante para o correto cumprimento da missão é ser discreto. Um Judas por vocação tem fobia a holofotes. Judas de <em>twitter</em> vai para a forca mais cedo. Se for vedete, é um suicida em potencial.</p>
<p> </p>
<p>Ninguém se torna um Judas da noite para o dia. Suas tarefas exigem boa formação. A função requer habilidades que só a experiência ensina. É preciso conhecer dos homens suas fraquezas e, das leis, possuir igual saber.</p>
<p> </p>
<p>Para o príncipe, o Judas ideal deveria ser alguém que já tenha dado, por duras provas, demonstrações de lealdade sem que tenha se tornado, contudo, próximo demais ao ponto de não mais poder ser sacrificado.</p>
<p> </p>
<p>O Judas se faz do príncipe quase irmão. E assim permanece, sem nunca obter a incondicionalidade dos laços de sangue. Mesmo que lhe reserve irrestrita confiança, o príncipe não casaria com ele a própria filha.</p>
<p> </p>
<p>E, quando chega a sua hora, o bom Judas não reclama as lágrimas do seu príncipe. À forca, sobe calado, levando com ele para o ostracismo segredos que, uma vez revelados, fariam ruir o prestígio de toda a corte.</p>
<p> </p>
<p>Não há filantropia na prestação do serviço. Os riscos inerentes ao ofício eliminam qualquer possibilidade de motivação solidária. Um Judas é sempre muito bem remunerado e, quando eficiente, um Judas se paga.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>O século 21 já tem sua metáfora</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Internado com problemas renais, um adolescente chinês confessou à família e aos médicos que havia extraído um rim em clínica clandestina. Em troca, recebera um <em>Ipad</em>. Um retrato acabado no nosso tempo.</p>
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		<title>Candidatos, sim. Candidaturas, ainda não.</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 14:38:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Não vou encher seu saco com a novelinha chata dos arranca-rabos eleitorais entre aliados do governador e da prefeita pela indicação de candidatos. Ali, tem faltado compostura tanto a quem bate quanto a quem apanha. Fui.
 
Enquanto eles se cospem e se beijam, sobra um espaço propício ao debate dos desafios da urbanidade que as demais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Não vou encher seu saco com a novelinha chata dos arranca-rabos eleitorais entre aliados do governador e da prefeita pela indicação de candidatos. Ali, tem faltado compostura tanto a quem bate quanto a quem apanha. Fui.</p>
<p> </p>
<p>Enquanto eles se cospem e se beijam, sobra um espaço propício ao debate dos desafios da urbanidade que as demais forças não estão demonstrando interesse em ocupar, mesmo tendo já alguns candidatos declarados.</p>
<p> </p>
<p>O momento é oportuno para refletir sobre temas de interesse comum como contraponto à arena de egos em que aliados do governador e da prefeita se devoram alheios àquilo que ao cidadão mais importa: viver melhor.  </p>
<p> </p>
<p>Não basta lançar candidatos com antecedência se, no <em>day after</em>, a visibilidade dos primeiros momentos se dissolve numa incapacidade de produzir fatos que mobilizem a atenção da opinião pública.</p>
<p> </p>
<p>Definir um candidato não é o mais difícil. Desafio é massificar a informação e desenhar na cabeça do eleitor o posicionamento da candidatura, isto é, a que ela se presta como ato político. Nenhum deles tem feito o bastante.</p>
<p> </p>
<p>Fato atenuante, a legislação eleitoral brasileira não prevê o instituto de pré-campanhas. Amarrados a normas rígidas – rigidez que reflete a inclinação cultural ao excesso – poucos recursos restam aos candidatos no período.</p>
<p> </p>
<p>Contudo, alguns não se definem porque nãos lhes interessa fazê-lo agora. No exercício de mandatos, Inácio Arruda e Heitor Férrer bem poderiam aparelhar a tribuna parlamentar pra visibilizar o perfil de sua postulação.</p>
<p> </p>
<p>Não o fazem porque, de fato, são candidatos sem suficiente autonomia, ambos dependentes, em peso e medida diferenciados, de decisões que serão tomadas por outras forças – o governador do estado, principalmente.</p>
<p> </p>
<p>São candidatos já (nomes, pessoas), mas ainda não são <em>candidaturas</em> (posicionamento, propostas). A antecedência com que se lançaram é ainda inversamente proporcional à clareza de suas definições. Há dubiedades.</p>
<p> </p>
<p>A antecipação de seus nomes se deu menos como tomada de posição diante de um quadro e mais como movimento tático de ocupação de espaços. Os produtos foram à venda sem esclarecer a que serviço se prestam.</p>
<p> </p>
<p>Sintomático é que, mesmo com pouco tempo de televisão para propaganda, seus partidos não se apressam em conquistar o apoio de outras forças. Há nisso, além das dificuldades previsíveis, também um bocado de esperteza.</p>
<p> </p>
<p>Sim, porque agregar aliados seria definir um perfil político – a candidatura – e perfil definitivo é tudo que os dois mais evitam no momento. Os produtos foram à venda sem os manuais de uso e os termos de garantia.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Acquário promete um novo milagre dos peixes</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 18:16:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
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Assim como o Dragão do Mar não poderia mesmo, por si só, revitalizar uma área deprimida do centro, tão pouco o Acquário do Ceará poderá fazê-lo com a praia de Iracema. A complexidade urbana não reage a truques de mágica.
 
O projeto tem méritos, sim, mas outros. O equipamento teria, por exemplo, potencial para estender o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
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<p> </p>
<p>Assim como o Dragão do Mar não poderia mesmo, por si só, revitalizar uma área deprimida do centro, tão pouco o Acquário do Ceará poderá fazê-lo com a praia de Iracema. A complexidade urbana não reage a truques de mágica.</p>
<p> </p>
<p>O projeto tem méritos, sim, mas outros. O equipamento teria, por exemplo, potencial para estender o período de estadia dos turistas na cidade, uma contribuição para consolidar Fortaleza como destino privilegiado.</p>
<p> </p>
<p>Não seriam apenas mais diárias em hotéis, mais comandas nos restaurantes. Os benefícios são extensivos também ao pequeno empreendedor, como taxistas, artesãos e até vendedores ambulantes.</p>
<p> </p>
<p>Mas, na ponta do lápis, haveria, basicamente, retorno (privado) para investimento (público). Daí, as restrições frequentes ao projeto: não seria, diante de outras carências, uma prioridade do interesse comum.</p>
<p> </p>
<p>Outro aspecto do projeto alcança as fronteiras da megalomania: seria o terceiro maior aquário do mundo. Isso, numa cidade de gente muito pobre e situada nas bordas menos atrativas do circuito turístico mundial.</p>
<p> </p>
<p>No Rio de Janeiro, paisagem urbana referencial da América latina, outro será construído pela metade do preço e todo com recursos privados. Mas esse nem é o único aspecto frágil do desenho financeiro do Acquário.</p>
<p> </p>
<p>Até o dia de hoje, o governo não veio a público dar resposta consistente a uma questão, nem tem sido suficientemente questionado por quem caberia verificá-la – a Assembleia Legislativa, <em>bunker</em> da capatazia chapa branca.</p>
<p> </p>
<p>Refiro-me aos recursos de custeio. A pergunta é: quanto custará por dia aos cofres públicos – o meu, o seu, o nosso suado real – manter aberto um equipamento só justificado pelos retornos que daria ao interesse privado?</p>
<p> </p>
<p>É pueril o que tem sido dito sobre o assunto. Fala-se vagamente em “parcerias” que ainda seriam buscadas com “patrocinadores privados” e, acreditem, créditos mensais de uma dívida da Petrobrás com o Estado.</p>
<p> </p>
<p>Da provável parceria, envolvendo empresas que agregariam valor às suas marcas numa associação com o equipamento, declino da oportunidade de contestar. É cascata demais para merecer o esforço dos meus neurônios.</p>
<p> </p>
<p>Quanto ao que nos deve a Petrobrás, seria dinheiro demais para sangrar à última veia com despesas de custeio de um equipamento que atenderia a necessidades de terceira ordem – fosse uma universidade, eu ficaria calado.</p>
<p> </p>
<p>Ademais, não é possível ignorar que a dívida da Petrobrás será liquidada em algum ponto do futuro. Com muita boa vontade, mas muita boa vontade mesmo, pode-se chama a isso de empurrar o problema com a barriga.</p>
<p> </p>
<p>Agora, o governo começa a construir o Acquário sem informar aos que pagarão a conta – você é um deles – nenhum estudo sobre a curva estimada de retorno do investimento inicial, nem sobre os recursos de custeio.</p>
<p> </p>
<p>Não digo que tais estudos não existam. Digo apenas que, pelos argumentos levantados, o secretário de Turismo os ignora. E digo que, se existem, não recebemos nós, os financiadores do projeto, a atenção de conhecê-lo.</p>
<p> </p>
<p>Resta-nos, então, aguardar por uma exceção bíblica – quem sabe, um novo milagre da multiplicação dos peixes. É pândego, mas não percam o sono: o governo não negará a quem paga a conta o direito de aplaudir.</p>
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		<title>O bom pastor à procura de um rebanho</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2012 19:26:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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O PDT anunciou que irá indicar o deputado Heitor Férrer para a disputa pela prefeitura de Fortaleza neste ano. A pouco mais de cem dias do prazo final para a escolha de candidatos, é o primeiro a ser confirmado.
 
Médico, foi no serviço público que conseguiu desenvolver as condições para se dedicar à sua vocação política, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p> </p>
<p>O PDT anunciou que irá indicar o deputado Heitor Férrer para a disputa pela prefeitura de Fortaleza neste ano. A pouco mais de cem dias do prazo final para a escolha de candidatos, é o primeiro a ser confirmado.</p>
<p> </p>
<p>Médico, foi no serviço público que conseguiu desenvolver as condições para se dedicar à sua vocação política, construindo uma carreira até aqui exclusivamente dedicada ao exercício de mandatos parlamentares.</p>
<p> </p>
<p>Heitor priva do respeito da cidade. De vida privada discreta, nunca teve seu nome relacionado a atos contrários às responsabilidades que a população lhe confiou. E sempre foi visto trabalhando. Para o que se tem por aí, já é muito.</p>
<p> </p>
<p>Sua trajetória política pode ser definida por três aspectos principais de sua atuação: no que lhe é mais constante, Heitor se move com baixa identidade ideológica, independência de pensamento e foco na defesa do bem comum.</p>
<p> </p>
<p>Baixa identidade ideológica porque Heitor construiu sua identificação com o interesse popular sem servir a nenhuma linha doutrinária mais específica e sem alinhamento com as razões corporativas do movimento sindical.</p>
<p> </p>
<p>No fundo, Heitor é um solitário. Espírito independente, dentro do seu PDT, onde cumpre rara carreira de muitos anos, nem sempre esteve, como agora não está, alinhado com as posições defendidas pelo seu comando partidário.</p>
<p> </p>
<p>O deputado não se posiciona como aliado incondicional de nenhum setor específico da sociedade – produtores, liberais ou assalariados. Sempre quis estar onde lhe parecia estar o interesse comum. Sua causa? O cidadão.</p>
<p> </p>
<p>Das características mencionadas acima decorre sua força e fragilidade: o patrimônio político da boa imagem que sempre cultivou não lhe garantiu uma rede consistente de articulação. Heitor pertence a todos e a ninguém.</p>
<p> </p>
<p>Seu eleitor potencial é um progressista desmobilizado, aquele cidadão que sabe o que está se passando, mas não comparece nem a reunião de condomínio. Um tipo que, apesar do perfil crítico, não pratica militâncias.</p>
<p> </p>
<p>Gente de muita opinião e poucas atitudes, tão cética com a integridade dos homens públicos quanto com a sinceridade e isenção dos seus fiscais. É um tipo de perfil difuso, mas, ninguém se engane: bem fácil de encontrar por aí.</p>
<p> </p>
<p>Uma adiantada articulação partidária pretende garantir ao candidato um generoso tempo de propaganda eleitoral na mídia – pouco mais de quatro minutos de programa eleitoral. Que tenha muito a dizer, é tempo suficiente.</p>
<p> </p>
<p>Se o seu partido souber compartilhar com tais forças a construção da candidatura, tanto quanto elas deverão compreender as contingências conjunturais da articulação, ele ocupará espaço relevante na disputa.</p>
<p> </p>
<p>Dele, hoje não se pode ainda dizer que esteja entre os favoritos – nem mesmo seus adversários foram já indicados. Mais tolo seria, no entanto, tomá-lo como figurante. Somente o será se muitos erros forem cometidos.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>A pátria sem chuteiras</strong></p>
<p> </p>
<p>A declaração do secretário-geral da FIFA (“O Brasil precisa de um chute no traseiro para tocar as obras da copa”) foi recebida por gente de conduta duvidosa como uma ofensa à honra da nação. Ridículo.</p>
<p> </p>
<p>O episódio ilustra bem uma frase do Millôr Fernandes: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Enquanto isso, olha só aqui o tamanho da bolinha que a seleção está jogando: <strong>o</strong>.</p>
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		<title>Cid: à sombra de um poste?</title>
		<link>http://www.ricardoalcantara.com.br/2012/03/cid-a-sombra-de-um-poste/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 00:43:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
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Em política, fala-se às vezes de um modo que a opinião pública entenda o contrário do que se diz. O que não pode ser pronunciado deve ser negado com veemência suficiente para que a todos pareça versão inverossímil.
 
Foi o que fez o governador Cid Gomes quando, falando à imprensa sobre a sucessão municipal em Fortaleza, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Em política, fala-se às vezes de um modo que a opinião pública entenda o contrário do que se diz. O que não pode ser pronunciado deve ser negado com veemência suficiente para que a todos pareça versão inverossímil.</p>
<p> </p>
<p>Foi o que fez o governador Cid Gomes quando, falando à imprensa sobre a sucessão municipal em Fortaleza, conseguiu, numa mesma frase, dar uma provavelmente sincera declaração e emplacar uma mentira daquelas.</p>
<p> </p>
<p>De início, disse ele que defende junto ao seu grupo político a continuidade da aliança política e deseja apoiar um candidato do PT em Fortaleza. A posição atende aos seus interesses. Logo, não há porque duvidar de sua sinceridade.</p>
<p> </p>
<p>Mas, dito isso, logo a seguir adiantou: “não tenho plano B”. Quis dizer que não teria ele a menor ideia do que faria, caso a aliança, por algum motivo, se tornasse inviável. O governador não espera que acreditemos nisso.</p>
<p> </p>
<p>Certo com dois e dois são quatro é que Cid Ferreira Gomes não apenas tem um plano B, como deve ter, também, um plano C. A única dúvida aí é saber em que ordem de primazia ele colocaria as alternativas disponíveis.</p>
<p> </p>
<p>São elas: a candidatura própria do PSB (os filiados se dividem entre a simpatia de Ferrúcio Feitosa e os neurônios do Roberto Cláudio) e o apoio ao senador Inácio Arruda, aliado seu que lidera as pesquisas de opinião.</p>
<p> </p>
<p>Sentado ao pé de um poste, Cid não deve estar. Em seu lugar, ninguém esperaria por um parceiro sagaz como Luizianne Lins, que o tem colocado contra a parede ao oferecer o direito de escolher entre duas contrariedades.</p>
<p> </p>
<p>Uma, seria Elmano de Freitas, sem expressão eleitoral e cópia autenticada da gestão que não lhe agrada. A outra, José Pimentel, ainda pior: seria um desafeto na prefeitura e um inimigo no senado, o suplente Sérgio Novais.</p>
<p> </p>
<p>O governador tem se empenhado muito em garantir eficácia aos seus esforços administrativos e, em nome disso, engoliria muitos sapos para se manter alinhado ao governo Dilma. Muitos, mas não todos.</p>
<p> </p>
<p>Ainda que assine rendição a uma alternativa que o desagrade – e se não tiver, principalmente, crença na possibilidade de vitória – Cid não deixará de construir alguma alternativa com chances de êxito. Seria um tolo. Não é.</p>
<p> </p>
<p>Logo, mesmo cedendo a contragosto o apoio do seu partido ao candidato da prefeita, restará a opção de facilitar a Inácio Arruda condições de disputa e, assim, entrar no jogo com mais de um parceiro à mesa. Por que não?</p>
<p> </p>
<p>Se o PT joga as fichas de 2014 ainda no tabuleiro de 2012, Cid, ao contrário, joga com as fichas de 2012 já no tabuleiro de 2014 e ambos sabem: manter a aliança na sucessão estadual será uma operação ainda mais complexa.</p>
<p> </p>
<p>Ninguém ali está confortável, mas sabem que o desconforto está precificado: é o custo da hegemonia com que controlam o Ceará. A aliança fosse o melhor dos mundos, teriam chegado ao céu sem precisar morrer.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>A China essencial</strong></p>
<p> </p>
<p>Uma rinite alérgica, que me impede de manusear papel velho, privou-me por muitos anos da leitura de Os Analectos, único texto atribuído com segurança à autoria de Confúncio. Semana passada, encontrei uma edição recente.</p>
<p> </p>
<p>O texto contém os fundamentos filosóficos que deram base à sociedade chinesa de 500 anos a.C. aos dias de hoje. Diante de sua expressão cultural, o Maoísmo é pouco mais que um episódio.</p>
<p> </p>
<p>Confúncio despertou meu interesse quando, ainda na juventude, dele li o seguinte: “Uma nação em declínio se envergonha de sua riqueza. E prospera quando se envergonha de sua pobreza”. Simples, largo e profundo.</p>
<p> </p>
<p>Dois mil e quinhentos anos depois, Os Analectos podem ser encontrados em versão <em>pocket</em> (L&amp;PM editora) pelo preço de um <em>cheeseburger</em>. Deguste-o.</p>
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		<title>Pimentel: comendo no prato em que cuspiu.</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Feb 2012 18:54:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoalcantara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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No território controverso da política, desaforos nem sempre são levados em conta. Em alguns, é tão compulsivo o apego ao estilo boquirroto que nos surpreendem mesmo é quando se mostram também capazes de gentileza.
 
Embora não seja afável, o senador José Pimentel é um homem sóbrio. Seu discurso evidencia uma disciplina reflexiva: não apenas hábil com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p> </p>
<p>No território controverso da política, desaforos nem sempre são levados em conta. Em alguns, é tão compulsivo o apego ao estilo boquirroto que nos surpreendem mesmo é quando se mostram também capazes de gentileza.</p>
<p> </p>
<p>Embora não seja afável, o senador José Pimentel é um homem sóbrio. Seu discurso evidencia uma disciplina reflexiva: não apenas hábil com as palavras – alguns truculentos também o são – mas prudente no seu uso.</p>
<p> </p>
<p>Por isso, sua crítica ao gerenciamento pelo governo estadual de recursos federais disponíveis tenha sido dissonante, mas, perto do que os irmãos do governador dizem do partido do senador e de sua prefeita, foi <em>soft word</em>.</p>
<p> </p>
<p>Se fosse, como recebeu o governador, “declaração de guerra”, como classificar a retórica doméstica? O triunvirato familiar se concede licença especial para tratar os aliados com truculência e a eles nega o direito de espernear.</p>
<p> </p>
<p>Estrago feito, Pimentel veio a público dizer, contra todas as evidências, que não duvidou da “capacidade gerencial de Cid Gomes” e que – eis os termos de sua rendição – “Os problemas extrapolam a vontade do governador”.</p>
<p> </p>
<p>Não há exemplo de reciprocidade para tamanho zelo: petistas nunca testemunharam retratações dos mais próximos ao governador, quando achincalham os atropelos gerenciais da administração petista na capital.  </p>
<p> </p>
<p>Atritos com governadores não colaboram para seu bom desempenho como líder do governo no senado – a função é, por definição, para agregadores. Talvez tenham vindo mais de cima, as recomendações para o recuo. </p>
<p> </p>
<p>Ao fim, Pimentel se viu forçado a comer no prato em que cuspiu. Pois mastigue com cuidado, senador: há mais espinhas nesse pescado do que as razões que o senhor possa ter para não mais dizer o que realmente pensa.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>Não empresto, mas recomendo.</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Alguém que com prazer sempre leio me deu, valioso presente, livros do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, acadêmico dissidente que, perseguido pelo regime, foi assistir de longe ao declínio do comunismo em seu país.</p>
<p> </p>
<p>Bauman nos define como uma sociedade em que <em>“as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que o necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir”.</em></p>
<p> </p>
<p>Assim nos fala de uma vida <em>“precária, vivida em condições de incerteza constante”,</em> onde é preciso <em>“correr com todas as forças para permanecer no mesmo lugar, longe da lata de lixo que constitui o destino dos retardatários”.</em></p>
<p> </p>
<p>Editado pela Zahar, está disponível nas boas casas do ramo.<em></em></p>
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